sexta-feira, 4 de março de 2016

CE Jansen Veloso no combate ao aedes aegypti


Alunos e professores do Centro de Ensino Jansen Veloso fizeram da data de hoje, 04 de março, um dia de combate ao mosquito aedes aegypti. Divididos em grupos, alunos e docentes visitaram as ruas próximas à escola, fazendo esclarecimentos, coletando lixo - principalmente embalagens capazes de acumular água - e identificando possíveis larvas do mosquito.















quinta-feira, 3 de março de 2016

Projeto "Gentileza poética"


O que é:
Projeto de valorização da poesia no dia-a-dia.
“Espalhar” poesia e mensagens positivas pela cidade, com o objetivo de “contagiar” as pessoas com otimismo e belezura.

Como ocorrerá:
1) Os alunos do 2º Ano realizarão pesquisa compondo um painel com poetas brasileiros e portugueses representantes do século XIX.

2) Os alunos do 3º Ano realizarão pesquisa compondo um painel com poetas brasileiros e portugueses representantes dos séculos XX e XXI.
3) Os poetas e poemas pesquisados serão apresentados em sala de aula. Os poemas escolhidos pelos alunos irão compor uma antologia “móvel”, que será compartilhada na escola e nas ruas.  
4) No dia 14 de março, Dia Nacional da Poesia, os poemas serão expostos no varal de poesias, na praça pública e na escola. Poemas e mensagens serão distribuídos às pessoas em forma de cartões e cápsulas (“cápsulas poéticas”).
5) Intervenções poéticas:
ao longo do ano as ações se repetirão, em determinadas datas "literárias", ampliadas com recitais e outras iniciativas poéticas.
Compartilhando coisinhas importantes...

E-mails para enviar os poemas digitados:
gentilezapoetica@gmail.com
gilvieirasouza@hotmail.com
 
 
 
 

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Sonetos


Soneto
Bocage

Ó tranças, de que Amor prisão me tece,
Ó mãos de neve, que regeis meu fado!
Ó tesouro! Ó mistério! Ó par sagrado,
Onde o menino
alígero adormece.

Ó ledos olhos azuis, cuja luz parece
Tênue raio de sol! Ó gesto amado,
De rosas e açucenas semeado
Por quem morrera esta alma, se pudesse!

Ó lábios, cujo riso a paz me tira,
E por cujos dulcíssimos favores
Talvez o próprio Júpiter suspira!

Ó perfeições! Ó dons encantadores!
De quem sois?... Sois de Vênus? - É mentira;
Sois de Marília, sois de meus amores.


*   *   *


IDEAL
Antero de Quental

Aquela que eu adoro não é feita
De lírios nem de rosas purpurinas,
Não tem as formas lânguidas, divinas,
Da antiga Vénus de cintura estreita...

Não é a Circe, cuja mão suspeita
Compõe filtros mortais entre ruínas,
Nem a Amazona, que se agarra às crinas
Dum corcel e combate satisfeita...

A mim mesmo pergunto, e não atino
Com o nome que dê a essa visão,
Que ora amostra ora esconde o meu destino...

É como uma miragem que entrevejo,
Ideal, que nasceu na solidão,
Nuvem, sonho impalpável do Desejo...


*   *   *



Manias!

Cesário Verde

O mundo é velha cena ensanguentada,
Coberta de remendos, picaresca;
A vida é chula farsa assobiada,
Ou selvagem tragédia romanesca.

Eu sei um bom rapaz, – hoje uma ossada, –
Que amava certa dama pedantesca,
Perversíssima, esquálida e chagada,
Mas cheia de jactância quixotesca.

Aos domingos a deia já rugosa,
Concedia-lhe o braço, com preguiça,
E o dengue, em atitude receosa,

Na sujeição canina mais submissa,
Levava na tremente mão nervosa,
O livro com que a amante ia ouvir missa!
 

*   *   *


Versos íntimos
Augusto dos Anjos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!


Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.


Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.


Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!


*   *   *



Fanatismo
Florbela Espanca

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!


Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!


“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!


E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
“Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!…”


*   *   *
 


Soneto de fidelidade
Vinícius de Moraes

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.